Artigos

 

Doenças ocasionadas por queda de temperatura em répteis.
                                                                                 

Está chegando o inverno e com ele, a preocupação inerente ao frio. Os herpetocultores se preocupam com os efeitos deletérios da diminuição da temperatura sobre as suas coleções. Um dos pontos que me chama a atenção é a dificuldade em se adquirir materiais para terrário quaisquer que sejam, o que nos deixa em posição pouco privilegiada em comparação com as pessoas que cultivam o mesmo hobby em outros países do mundo.

De qualquer forma esta deficiência nos faz ser criativos e providencia para nós o desenvolvimento de saídas inteligentes que compensam de certa forma a carência de materiais apropriados. Com um pouco de bom senso e um amigo que fez o básico de eletrônica, dá para se virar bem melhor por aqui e é isso que vamos discutir.

Aquecedores de ambiente

Existem aquecedores de ambiente em casas de materiais de construção, ou lojas de materiais de uso doméstico por aí. Podem ser caros, mas em determinados casos vem a funcionar, principalmente se a sua coleção se encontra em recintos pequenos, de forma a se atingir um gradiente de temperatura adequado em pouco tempo. Estes dispositivos devem ser conectados a dimmers e reostatos de forma a se ajustar à temperatura da forma desejada. Este tipo de material é facilmente encontrado em casa de materiais de construção.

Quando os terrários são feitos de material que segure o calor, como madeira, a temperatura tende a se manter por mais tempo. O vidro é mais refrator, portanto esquenta mais rápido e esfria rapidamente.
Os aquecedores devem ser colocados de forma a distribuir o calor por todo o aposento de forma igual e após atingir o nível ótimo deve ser controlado com um termostato adaptado ao mesmo. E aí entram aos gênios da eletrônica.
Quando o aquecimento se faz de forma interna e individual, deve-se tomar precauções com duas coisas: o excesso de calor e a possibilidade de eletrocussão. Nunca subestime estas duas possibilidades, pois sua conseqüência mais branda será a morte de seu animal e a mais intensa será um possível incêndio no recinto ou pior.

No caso de placas aquecedoras externas o fundo dos terrários deve ser de vidro ou material não inflamável e o terrário deve estar fora de contato com a placa por meio de calços de borracha, que com o tempo cedem e devem ser trocados ou de madeira/papel, que cedem ate determinado momento e param. Quando o vidro entra em contato com a placa, esta tende a perder o funcionamento ou sofrer sobrecarga por impossibilidade de distribuir o calor. Quando isso acontece o vidro pode quebrar pela diferença de coeficiente de dilatação (um assunto que eu detesto e, aliás, não sei o porquê de ter aceitado falar destas coisas, mas elas complementam o resto do assunto e devem ser frisadas. De qualquer forma eu vou pedir para o editor retirar estas frases do texto...).
Outro artifício que as pessoas utilizam rotineiramente são as pedras aquecidas, que quando vem sem o reostato ou termostato, devem ser monitoradas de perto ou acopladas em um termostato ou reostato posteriormente. Pessoalmente não confio muito nas hot rocks sem termostato, mas as vezes elas são a única opção.
 Conheço pessoas que as enterram em areia lavada e seca, de modo que o calor se espalhe pela areia e impeça de causar acidentes por excesso de calor em algum ponto da pedra ou curto circuito, mas não tenho experiência nesta forma.
Apenas uma observação deve ser feita: evite o possível contato com água, ou seja, este tipo de procedimento deve ser evitado em terrários úmidos demais ou em terrários muito borrifados.
Outro artifício é a latinha com lâmpada dentro (eu tentei arrumar um nome mais pomposo, mas na verdade é uma latinha com lâmpada dentro, mesmo...). Basta isolar bem a lâmpada do contato direto, colocando em compartimento separado na caixa de abrigo ou mesmo tentando a areia, para contato direto sem o risco de pontos maiores de aquecimento. Já vi muitos zoológicos que utilizam algo assim.
Acredito que possam existir mais métodos criativos para o aquecimento de um terrário, não é minha área de especialidade, apenas estou utilizando o pouco de experiência adquirida com o tempo, por isso esta parte do texto aceitaria a contribuição dos leitores como complementação.

Doenças causadas por alteração térmica e manejo inadequado.

Seja por aquecimento excessivo ou falta de atenção com os métodos de controle, a maioria dos problemas que existem se apresenta pela falta de um manejo adequado. Quando a temperatura fica em níveis abaixo do normal, os répteis adquirem os problemas de forma rápida (com cerca de 4-5 dias para manifestar) e geralmente param de comer e de se movimentar, enfraquecem lentamente e ao prognóstico é bom, bastando achar a temperatura correta para o animal.
Outro fator importante é que existem variedades geográficas e individuais que devem ser levadas em conta. Por exemplo, um iguana de cerrado agüenta mais calor do que uma de clima equatorial, mas nenhuma das duas agüenta o calor de iguanas provenientes de região de caatinga.
A princípio até a frase acima exige complementação, pois existe cerrado em região mais fria ou cerrados, por exemplo, na região de Mato Grosso / Goiás. Em ambientes sub-ótimos os répteis adquirem patologias de forma lenta e gradual, o que deixa o prognóstico mais desfavorável, de acordo com a depleção das reservas de gordura e demais reservas orgânicas, o que faz com que, a partir de determinado momento o animal já passou do estágio de possíveis chances de recuperação. Existem casos em que os proprietários não se dão conta de que os animais estão com um problema em longo prazo, mesmo que as coisas estejam complicando muito.
Algo que deixa os herpetocultores muito apreensivos são as doenças respiratórias. Estas podem ser grosseiramente chamadas de doenças respiratórias de trato superior, que vão até a traquéia, e as de trato inferior, que vão até os pulmões. O primeiro tipo ocasiona menos problemas, se tratado a tempo, mas quando isso não acontece, as coisas podem evoluir e possivelmente teremos uma abrangência da doença até o trato inferior.
Quando a temperatura está em níveis abaixo do normal, o ar que entra pelas narinas se apresenta resfriado e, em longo prazo, mesmo o sistema interno de células de defesa que recobrem o assoalho e o teto das narinas, constituído de células secretoras de muco, que serve como defesa contra possíveis agentes agressivos, como poeira, ácaros, bactérias, fungos, produtos de limpeza de efeito residual ou medicamentos, lançando uma camada que aglutine estas substâncias e patógenos, para evitar que as mesmas venham a penetrar em níveis mais profundos do sistema respiratório.
Neste mesmo trato respiratório vamos encontrar as células de defesa, ou leucócitos, que se dividem em heterófilos, linfócitos, basófilos, eosinófilos, linfócitos e monócitos. Elas são responsáveis pela destruição dos possíveis patógenos que tentem entrar no organismo. Aí você me pergunta: _Então por que com tudo isso meu animal está doente?
As serpentes e demais répteis são animais muito resistentes, mas biologicamente estão afeitos a sistemas onde não haja oscilações bruscas de luz, temperatura e umidade. Este é o resultado de 60 milhões de anos de vida mansa (brincadeira...), mas onde os fatores ambientais mudaram muito lentamente, proporcionando chances de adaptação razoáveis.
Quando os fatores ambientais (voltando a repetir, temperatura, umidade e fotoperíodo) são alterados, de forma brusca ou não, o organismo tenta compensar e o faz durante determinado tempo de forma eficiente, mas não suporta durante muito tempo e com isso vão esgotando-se as reservas energéticas e, praticamente falando, quando chega ao meu consultório está precisando de ajuda divina e não de ajuda médica...
Os principais sintomas são anorexia e salivação, que evoluem para abrir de boca constante, devido ao fato de que répteis não possuírem o músculo diafragma, que auxilia na expulsão da secreção, por meio da tosse, ou seja, répteis não tossem, portanto a expulsão do muco formado para deter a entrada de patógenos fica prejudicada, e junto com isso, a respiração também.
A simples e prática razão pela qual sua iguana, ou seja lá qual for o réptil, fica com a boca aberta é a dificuldade de respirar! Isso deve ser tratado com certa urgência, pois aos poucos seu animal ficará propenso a problemas sérios pela baixa oxigenação em seu organismo.
As medidas de prevenção deste tipo de problema se restringem a ler a respeito do seu animal e ajustar corretamente os aquecedores, bem como o sistema de manutenção de temperatura, ou seja, os dimmers, reostatos e termostatos.
 A correta manutenção destes fatores vai assegurar a correta manutenção de temperatura.
Quanto à umidade, esta deve ser planejada e mantida de acordo com a espécie de réptil e no caso de iguanas deve ser lembrado que apesar da umidade alta, coisa profundamente necessária ás espécies tropicais, esta umidade deve ser escoada por eficiente sistema de drenagem, ou seja, terrários de vidro sem partes de grade ou telas podem vir a prejudicar este escoamento, favorecendo a proliferação de bactérias e fungos no ambiente.
As medidas de tratamento devem ser exercidas por especialista na área, que providenciarão técnicas para diagnóstico (exames para detecção da doença, como por exemplo, hemogramas e perfil bioquímico do sangue), diagnóstico correto e tratamento curativo e de suporte adequado ás condições de seu animal.
 A partir da detecção correta dos problemas, o veterinário vai estabelecer um protocolo de prevenção para que este tipo de problema não mais ocorra.